Tapéus é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Tapéus do Município de Soure, freguesia com 14,41 km² de área e 326 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de 22,6 hab./km².
Situa-se na Serra do Sicó, no sopé oeste do Monte Rabaçal e a uma altitude de 346 metros, enquadrando-se num vale de características amenas e junto a um curso de água. Distando onze quilómetros, para Sudoeste, da sua sede de concelho e 25 quilómetros da cidade de Coimbra, é facilmente acessível a partir da Estrada Nacional nº 10 (atual IC2).
Encontra-se dividida nos lugares de Casal Cimeiro, Baixos, Venda Nova, Carpinteiros, Carvalhal, Fonte do Cortiço, Tapéus e Porto Coelheiro. Dela fizeram ainda parte, no passado, os lugares de Ferreiros, Casal da Estevainha, Casal do Barrinho (ou da Fonte) e Quinta do Paço, que desapareceram ao longo do tempo, com a deslocação das suas gentes para outros lugares por razões várias. Existiu ainda um outro lugar dentro dos limites de Tapéus, denominado Pé de Ladeira, que se extinguiu algo misteriosamente por alturas do século XVIII. Este aglomerado populacional assumia bastante relevância na zona, contando com mais de 50 fogos. A hipótese mais provável para justificar a sua súbita desaparição aponta para um surto de peste, que terá originado a fuga da população. Outras opiniões, porém, defendem que a extinção do lugar se deveu a um incêndio de grandes proporções, que o terá destruído na totalidade.
A localidade de Tapéus é de origem muito antiga, supondo os historiadores que o seu estabelecimento seja anterior à própria fundação da nacionalidade. A primeira referência à zona surge num documento datado de 1111 — quando Portugal ainda não era sonhado e D. Henrique de Borgonha presidia aos destinos do Condado Portucalense. O documento em questão constitui o instrumento de doação da Igreja de Soure “de Santa Maria” aos cónegos da Sé de Coimbra, nele se podendo ler que, a oriente da referida igreja, “a uma milha ficam as elevações pedragosas dos Montes Tapéus” (tradução do documento original). Aproximadamente dois séculos mais tarde, a freguesia surge ligada a outro documento oficial.
Trata-se, desta feita, do acto de doação da quinta de Porto Coelheiro, “mediante determinadas condições”, ao cabido da Sé de Coimbra. O documento, que a seguir apresentámos no original, foi lavrado a 20 de Outubro de 1319, no burgo conimbricense: “In nomine Domini amen. Quod perpetuam rei memoriam "
Para além destas referências históricas envolvendo directamente a freguesia, sabemos também que a mesma esteve, durante muitos anos, bastante ligada à Ordem de Cristo, a quem pertencia a sua Igreja Matriz.
Reportando-nos agora a documentos históricos mais recentes, verificámos que, por alturas de 1801, Tapéus fazia parte do concelho de Redinha (actual freguesia do concelho de Pombal). A 25 de Junho de 1864, no entanto, passaria a fazer parte do concelho de Soure.
Por ocasião da reforma da divisão judicial portuguesa, ocorrida a 12 de Novembro de 1875, esta circunscrição territorial transitou para o julgado de Pombalinho, da comarca de Soure (que, em 1876, seria classificada por decreto como comarca de 2ª classe). A situação manter-se-ia inalterada até 1896, altura em que a freguesia, embora mantendo-se na mesma comarca, passou a estar sob a alçada do distrito de Paz da Redinha. Em 9 de Julho de 1927, Tapéus adquire a condição de Julgado de Paz, integrado na comarca de Soure e no distrito judicial de Coimbra. Em 31 de Dezembro de 1936, foi elevada à categoria de freguesia de 3.ª classe, situação que não alterou a sua pertença à comarca e concelho de Soure, onde ainda hoje se integra